Virginia Costa

domingo, 28 de maio de 2017

Paraibuna- Delícias e Curiosidades

Se tem uma coisa que o pessoal de lá prefere não usar é o nome atual das ruas. Gostam mesmo é de usar as velhas referências como Rua do Meio, Rua de Baixo, Rua da Bica, Rua de Cima, Rua Nova, Bairro do Cachorro Sentado e por aí vai. Imagino que essa foto eu tirei da Rua de Cima. 
 E essa deve ser a Rua da Bica. Olhe ela ali no fundo! Fica mesmo tudo mais fácil. 
Dá para imaginar os tropeiros parando aqui para se refrescar antes de seguir para o Mercado ou para o Sul de Minas. 

"Quem Bebe Água Da Bica, Aqui Fica". Eu só não bebi por que quero passear muito ainda rsrsr.

Acho que sem dúvida a maior atração da cidade é o Mercadão. O prédio é de 1887. 
O piso, que antes era de terra, foi modernizado mas mantiveram as características originais como o madeiramento do forro, a ventilação com tijolos e as telhas.
Nessa foto dá para ver bem as telhas antigas e o pátio interno onde também tem produtores.
Nesse espaço ficam os Paçoqueiros de Paraibuna. Pense num povo simpático! Mas todo mundo lá é assim, bom de prosa e cheio de histórias para contar.
A tal paçoca é com certeza melhor do que outras por aí. Dizem que é o Viagra caipira e que os ingredientes são esses acima, amendoim, sal, rapadura e farinha de milho. Depois batem com muito vigor por algum tempo no pilão. É bonito de ver o pessoal socando o pilão. Algumas vezes são três pessoas socando a paçoca sincronizadamente.
Nunca tinha visto pamonha embalada assim. Achei um capricho. Dona Benedita disse que é folha de caetê.
Daí fui pesquisar e entendi que é folha de helicônia, também conhecida como caeté ou bananeira do mato, comum na Mata Atlântica. Mas quem entende de verdade dessas coisas é a Neide Rigo do Come-se
Dona Benedita vende no Mercadão aos domingos e se quiserem encomendar da salgada, tem que ligar antes (12) 3974-1150. 
Sempre quis experimentar o fogado ( ou afogado). Precisa ver que cheiro delicioso, muito bem temperado, carne desmanchando, pouca gordura e sem batata. Não façam a besteira que fiz de trazer um marmitex ( só a "mistura", como dizem aqui). Faz muita lambança no transporte. O melhor é comer lá mesmo com os acompanhamentos tradicionais: arroz e farofa. R$ 13,00.
O box onde tem esse fogado que lembra casa da avó da gente é esse acima e o Sr. Luis é uma simpatia. Na foto dá bem para ver o piso novo piso de pedra colocado em 1980. 
Já nessa, do Ailton Morais, tem grande variedade de coisas de casa como bules de ágata e peças de cobre mas o forte mesmo é outra coisa.
Pois é. A Marvada Neide é a mais conhecida, feita em Paraibuna. Perguntei qual seria uma realmente boa e a moça me indicou a Canabella. Para falar a verdade, não provei nem uma nem outra por que estava dirigindo.
Achei interessante essa com cambuci. Lá eles vendem a polpa congelada mas não arrisquei comprar. Nunca experimentei cambuci mas já vi por aí nas ruas.
Esse aí em imperdível. No Box 9, o pastel do Manezinho. Tem uma história de três gerações e segredo na receita.
Esse senhor é o genro do criador do pastel, Nicolau Stábile, e ele contou que a esposa, Dona Terezinha, já foi ao programa da Ana Maria Braga. Contou que ela adorou ser paparicada, vieram buscá-la e traze-la e ela tinha direito a cinco acompanhantes, se quisesse. O diferente desse pastel é a massa que inclui farinha de milho amarela. Curiosamente, o pastel vira sozinho na hora de fritar. É realmente delicioso, lembra uma massa muito leve de risolis. Deu vontade,né?
 Uma dica, quando você chegar ao Mercado, já veja se o bolo de milho da Pastelaria da Cibel ( Box 20)está saindo do forno. Vale a pena ficar controlando. É o melhor que comi na vida, longe do segundo. Sem farinha alguma. Tostadinho por cima e cremoso por baixo. É divino. Na verdade, eu fui até Paraibuna por causa desse bolo. A Cibel apareceu numa Reportagem na TV Vanguarda e vi que o repórter, Vinicius Valverde, comeu com uma vontade tão grande que me deu desejo. 
A Cibel é outra simpatia, trabalha no Mercado há 27 anos e só faltou dois domingos nesses anos todos. Como é que pode? Tem pessoas que são muito especiais.Ela contou que o forte dela é o café coado no coador fresquinho. Isso acontece o dia todo. 
Seus fregueses são principalmente de lá mesmo. Essa almondega é uma delicia, grande, super honesta, pura carne, torradinha por fora,úmida por dentro.É a preferencia dos japoneses da cidade. O salgado ao lado é o favorito dos estudantes. Com exceção do pão de queijo, todo o resto é feito por ela. Uma boa noticia, dá para encomendar o bolo de milho: (12) 3974-3662 e (12) 99617-8235. 
Sem esquecer que lá é a terra dessa nossa antiga conhecida, a Bananinha de Paraibuna. Tudo começou em 1975, nos tachos de cobre numa casa e agora é uma grande empresa.
No pátio de dentro, além de música regional aos domingos, tem também frango caipira. O pato nem sempre tem mas dá para encomendar com Sr. João (12)9977 53649. Levem dinheiro porque a maioria dos comerciantes não usa maquininha.
A Igreja Matriz de Santo Antônio fica no alto de um morro. 
Os azulejos são da metade do século XX. Achei lindo! 
 As pinturas internas foram feitas pelo pintor Álvaro Pereira e contam a vida de Santo Antônio, patrono da cidade. Aliás, semana que vem começa a Festa de Santo Antônio lá. Já estão colocando várias barracas na praça da matriz. Vai ter muita comida regional boa, missas e procissão.
Lá em cima, dentro da torre, tem uma imagem de Santo Antônio de 2.10 cm de altura. Foi feita por um detento, Antônio Serrador, em 1920. Ele usou quatro tipos de madeira e a fez em dezoito partes unidas com pinos de madeira. Sem prego algum. Com o tempo deu cupim e foi restaurada pelo artesão Carlos Batista que foi quem decerto descobriu a forma genial como a imagem foi feita.
Uma coisa que dá o que falar por lá é essa frase na porta do cemitério: " Nós que aqui estamos por vós esperamos". Espera um pouco, os defuntos estão esperando por nós? Pois é, dá margem para algumas interpretações inquietantes.
O pior mesmo seria pisar na estrela em frente a capela do cemitério. Morte certa em dois dias! Isso é o que o povo fala. Como o povo sempre tem razão, não piso nem morta! Oops! 

Um comentário:

Claudete Kunihiro disse...

Adorei a reportagem e assino em.baixo o que se refere ao box da Pastelaria da Cibel.